Notícia - Rover cava e encontra bactérias no ambiente inóspito (e parecido com Marte) do Deserto do Atacama
 Hype Science Publicou uma notícia no dia:07/03/19 09:27:55

Rover cava e encontra bactérias no ambiente inóspito (e parecido com Marte) do Deserto do Atacama



No ambiente mais parecido com Marte na Terra, o Deserto do Atacama no Chile, um rover robótico experimental chamado Zoë cavou estranhas bactérias do solo, algumas das quais eram desconhecidas para a ciência.

O que é mais interessante é que elas exibiam adaptações especializadas para condições similares às encontradas no planeta marciano.

Condições inóspitas

Sabemos que água líquida provavelmente já fluiu pela superfície de Marte. O planeta está muito mais seco hoje, mas ainda pode abrigar água líquida no subsolo. Se assim for, isso torna mais provável a perspectiva de vida por lá. De qualquer forma, a analogia com o Deserto do Atacama também aponta para outras possibilidades.

O Atacama é tão seco que pode não chover por lá durante décadas ou séculos de uma vez, o que o torna incrivelmente hostil à maior parte da vida na Terra. Ainda assim, ano passado, pela primeira vez, vida microbiana foi encontrada prosperando em sua superfície.

Agora, Zoë também perfurou seu solo, recolhendo amostras a uma profundidade de 80 centímetros, encontrando micróbios subterrâneos. Isso deixou os cientistas esperançosos.

“Nós mostramos que um robô pode recuperar solo abaixo da superfície de um deserto como o de Marte. Isso é importante porque a maioria dos cientistas concorda que qualquer vida em Marte teria que ocorrer abaixo da superfície para escapar das duras condições da superfície, onde a alta radiação, a baixa temperatura e a falta de água tornam a vida improvável”, disse o biólogo Stephen Pointing, da Universidade Yale (EUA), em um comunicado.

Semelhanças

Segundo os pesquisadores, com o aumento da profundidade, a comunidade bacteriana foi dominada por organismos que podiam prosperar em solos extremamente salgados e alcalinos.

Na marca dos 80 centímetros, um único grupo específico de bactérias que sobrevive metabolizando o metano foi encontrado.

“Isso é muito interessante porque demonstra que o subsolo do Atacama suporta micróbios altamente especializados que podem prosperar em solos semelhantes aos de Marte. As recentes medições de emissão significativa de metano na superfície do planeta sugerem que bactérias que utilizam metano também poderiam prosperar lá”, explicou Pointing.

Irregular

Os resultados são promissores, mas não uma aposta certa. A equipe coletou mais de 90 amostras de sedimentos, tanto pelo robô quanto à mão, descobrindo que a colonização microbiana era irregular. As áreas que não haviam sido colonizadas por micróbios eram as mais extremas.

A análise do sedimento mostrou que ele havia se formado há muito tempo, quando a água era abundante na região. De qualquer forma, não tinha recebido nenhuma água por um longo tempo.

“A colonização bacteriana irregular é um indicador de estresse ambiental extremo e, no caso dos solos do Deserto do Atacama, podemos dizer que a vida realmente está se mantendo no limite da habitabilidade”, disse Pointing.

Como as condições em Marte são ainda mais extremas, só podemos supor que essa irregularidade também seja uma característica de qualquer colonização bacteriana marciana.

Apesar disso, a bactéria que metaboliza o metano tem a capacidade de usar um substrato conhecido por ser abundante em Marte. Assim, a equipe continua esperançosa de que existam regiões habitáveis em território marciano, mesmo que sejam poucas e distantes entre si.

No futuro

O próximo passo é coletar amostras ainda mais profundas no Atacama. Espera-se que os robôs marcianos perfurem até 2 metros.

Essa pesquisa também deve auxiliar os cientistas a formularem ideias de onde começar a perfurar em Marte.

“Minha preferência pessoal seria depósitos fluviais de rios antigos ou rochas de arenito”, argumentou Pointing. “Ambos os substratos são conhecidos por apoiar vida microbiana e preservar bioassinaturas de colonização por muito tempo após a extinção dos microrganismos”.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Frontiers in Microbiology. [ScienceAlert]